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Maria João Chipalavela

Maria João Chipalavela

Maria JoãoMaria João Chipalavela nasceu nos anos 60 na Província da Huíla, cidade do Lubango. Foi ali onde fez os seus estudos primários e secundários. Matriculou-se, mais tarde, no Instituto Superior de Ciências da Educação do Lubango (ISCED), na especialidade de Psicologia, vindo a licenciar-se neste ramo. E foi nesta mesma instituição em que fez o mestrado em Teoria Curricular. Mulher possuidora de um dinamismo exemplar, exerceu várias funções importantes e de destaque na província da Huíla, tais como de Directora do Instituto Médio Normal da Educação, Responsável pela ONG, ADDRA, na província da Huíla, para além de actividades como professora. Mais recentemente, nas últimas eleições, foi a porta - voz da Comissão Provincial Eleitoral (CPE) da Huíla. Continua a viver na sua terra natal juntamente com o marido e filhos. 

Maria João, ou a João, como é mais conhecida, estreou-se na literatura através de livros para crianças, ou seja, a nível da literatura infanto-juvenil. De entre as suas obras, contam-se "A Gotinha Rebolinha" e " A Escola e a Dona. Lata".

As suas obras são textos simples para crianças, escritas numa linguagem clara e compreensível, e que transmitem lições de moral como a necessidade de se praticar o bem, a amizade e o amor que tem de existir entre as pessoas e que se deve incutir desde a mais tenra idade. E, Maria João consegue-o de uma forma exemplar graças a sua profissão de educadora e psicóloga de formação.

No ano de 2008 foi homenageada pelo Ministério da Cultura do Governo Angolano devido ao seu trabalho em prol das letras no sul do país, tendo, para o efeito, recebido um galardão e um diploma de mérito.

 

Excerto

A gotinha RebolinhaE correu comigo. Mas não fui longe. Fiquei presa num espinho de roseira. E o espelho disse-me:

- Quem és tu, que não foges de mim? Que vens preencher a minha solidão, porque todos me fogem com medo de se ferirem?

Disse-lhe quem era e contei-lhe a minha história, já a chorar, com medo da nova corrida...

- Não chores, pequenina amiga. Eu não sou mau, como dizem. Só magoo quando não me tocam com jeito. Se quiseres ficar comigo, eu terei uma companhia e já não me sentirei abandonado e sozinho.

- Oh! amigo Espinho! Como tu és bom! Vou ficar contigo! Mas, depois as manas vão-me encontrar e eu terei de te deixar...

- Não faz mal. Mas ao menos eu sei que alguém não pensará que eu sou mau e não se vai esquecer de mim.

E o Sol, que passava naquele momento, ao ouvir esta conversa tão bonita, desceu mais um pouco, parou, sorriu e disse que também queria ser nosso amigo. E, como estava cheio de sede, pediu-me de beber. Deixei-o molhar uma ponta dos seus cabelos doirados. E brincamos sempre juntos. O Sol mata em mim a sua sede, quando faz calor. À noite, separamo-nos. O Sol parte e eu fico com o Espinho, nesta Roseira do teu jardim...Ainda não me viste? Só ouves a minha voz? Mas espera, olha para aqui. Não... Vira um pouquinho mais a cabeça...Aqui estou! Até que enfim que me viste. Queres ser nosso amigo também?

 

 

Recessões criticas e comentários das obras nos seguintes links:

http://www.uea-angola.org/artigo.cfm?ID=854

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