O presente artigo consiste numa abordagem geral da influência da Guerra Fria nos Movimentos de libertação em Angola que se encontrava sob domínio português.
A Guerra Fria foi uma "guerra" em que os actores se abstinham de recorrer directamente às armas, mas utilizaram, um contra o outro, as mais refinadas e agressivas formas de propaganda ideológica e intervinham no fomento de conflitos localizados em apoio, por vezes pouco dissimulados aos beligerantes. Teve início em 1950 e terminou em 1990 com a dissolução da URSS em 1991.
Enquanto os EUA defendiam um regime político democrático-liberal e uma economia inspirada no modelo capitalista, a URSS defendia um regime socialista de centralismo democrático e uma economia colectivizada e planificada.
A Guerra Fria rapidamente se estendeu a todos os continentes, transformando conflitos regionais em conflitos de âmbito internacional pela intervenção indirecta das super potências.
Relativamente à África, as super potências estimulavam a formação de facções, contribuindo com armas e dinheiro, pretendiam com isso ganhar pontos na disputa ideológica entre elas e alargar as suas áreas de influência nas antigas colónias europeias e controlar as suas valiosas matérias-primas.
Portugal, ao contrário dos restantes países europeus, recusava-se a dar a independência as suas colónias, porque para Portugal, as colónias constituíram um elemento fundamental na política de nacionalismo económico, eram um meio de fomento de orgulho nacional já que constituíam um dos principais temas da propaganda do regime, ao integrar os espaços ultramarinos na missão histórica civilizadora de Portugal e no espaço geopolítico nacional.
Consequentemente, Portugal foi condenado pela Comunidade Internacional pela resistência face à vaga de descolonização. Nos anos 60 Portugal entra em guerra com as colónias que se estendeu até 1974 e que terminou com a revolução dos Cravos. Com isso Portugal viu-se obrigada a dar a independência a esses países no ano seguinte.
No caso de Angola, a luta pela independência fez-se sentir a partir dos anos 60 com o despoletar de três movimentos (MPLA,FNLA e UNITA) que tinham a mesma finalidade, a luta pela independência de Angola, porém de maneira diferentes.
Angola foi um dos países africanos que conheceu a independência tardiamente, visto que Portugal foi uma das poucas metrópoles que após a Segunda Guerra Mundial insistia na ideologia expansionista, o que levou ao isolamento de Portugal perante a Comunidade Internacional.
Em 1961, depois de várias tentativas para conseguir a independência, o povo angolano decidiu pegar em armas e combater contra Portugal. Essa guerra colonial foi liderada pelo MPLA.
Após a luta incessante pela independência, os movimentos nacionalistas angolanos travam entre si uma nova luta, agora civil, disputando a posse da capital. Para a realização dessa luta, contaram com o apoio de vários países, principalmente das super potências. O apoio estrangeiro a cada facção evidenciava a Guerra Fria. Os interesses não eram muitos, porém, bastantes significativos.
Angola representava um mercado excelente para a venda de armas, outro factor que despertou o interesse foi a sua riqueza natural (petróleo e diamantes). No âmbito das ajudas internacionais, a Unita teve o apoio dos EUA, da França e da África do Sul, enquanto o MPLA teve ajuda soviética e cubana. O MPA foi reconhecido pelas Nações Unidas como legítimo representante de Angola, logo que passou a deter o controle de Luanda. O que levou a união da UNITA e da FNLA. A UNITA prosseguiu a sua política de conquista do poder com medidas absurdas que em nada beneficiavam o país, tendo perdido o apoio dos EUA que passou a apoiar o MPLA.
O envolvimento comunista cubano/soviético foi enorme, porém, só foi decisivo no curso da guerra. Do ponto de vista político, foi uma luta contra e a favor do comunismo, tendo em conta as riquezas do país, tanto que em Cabinda os americanos que exploravam o petróleo chegaram a ser protegidos por guarnições cubanas. Este envolvimento acarretou consequências elevadíssimas de que Angola até hoje paga a factura.
Uma das consequências preponderantes foi o endividamento face a Cuba, e delapidação de muitas riquezas carregadas para Havana. Foi significativa a presença cubana em Angola.
À guisa de conclusão, podemos dizer que Portugal, com a descolonização perdeu a sua dimensão imperial e ficou reduzido aos seus territórios europeus. O fim do isolamento, a descolonização e a instituição de uma democracia pluralista marcou o regresso de Portugal a Europa, tendo aderido a Comunidade Europeia em 1986. Essa adesão teve efeitos decisivos para Portugal, quer para estabilizar a sua posição internacional, quer para consolidar a democracia.
Ao nosso ver, actualmente existe uma forma de colonização, talvez menos explícita. As políticas de globalização e de desenvolvimento tecnológico acabam por marginalizar os países do Terceiro Mundo que não têm capacidade de seguir essas políticos, acabando por depender dos países mais desenvolvidos.
Bibliografia:
- Fage, J. (1995). História da África, Lisboa: Edições 70.
- Antão, A. (2001), História, Portugal: Porto Editora.
Comentários
@Cassavela completa-o.
As FAPLA foram o rastilho da liberdade nacional
01 de Agosto, 2009
No longínquo dia primeiro do mês de Agosto de 1974 foram proclamadas as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) pelos históricos Comandantes Ndozi, Xietu, Iko Carreira, Bolingô, Eurico Gonçalves, Pedalé, Gika, Ndalu, Saydi Mingas, Dilolwa e muitos outros. Parafraseando o Presidente Agostinho Neto, “minhas mãos colocaram pedras nos alicerces do mundo/mereço o meu pedaço de pão”.
A proclamação das FAPLA foi o culminar de um processo revolucionário, liderado pelos nacionalistas forjados na década de 50 e que já reivindicavam a independência de Angola. O percurso da luta de libertação nacional tem como rastilho libertador as FAPLA. A coragem e valentia da renovada geração de combatentes, como Kudijimbe, Waluka, Pedro Sebastião, Tambarino Salgado, Venância, João de Matos, Samora, Massimbi, Dulce, Kitumba, BetaNgô, Arsénio Bigode D’Aço, Mingueleka, Ita, Altino Malheiros, Tomboco, Tondela, Emeguiza, deram aos angolanos a certeza da vitória.
“Eu vou morrer em Angola/ Com armas de guerra na mão/ Granada será meu caixão/enterro será na patrulha” . No dia em que se completam 35 anos sobre a proclamação das FAPLA, deixo aqui o meu modesto testemunho.
não creio que este seja realmente o objectivo.
este artigo nao esclarece a origem e os motivos da guerra de angola devidamente. p,ra uma boa pesquisa, consultar este livro: jonas savimbi A KEY TO AFRICA escrito pelo jornalista ingles FRED BRIDGLAND 1988
Submeter um novo comentário