História dos Ovimbundu

(2 Votos)

Pretendo, com este artigo, apresentar alguns factos mais recentes sobre a história  do que foi, em tempos, um dos mais poderosos reinos dos estados do planalto, ou seja, o Reino do Bailundo, sem qualquer desprimor para outros estados, importantes que  foram e são, quer para as lutas contra a ocupação colonial, quer para o processo da construção da Nação-Estado, em curso, e incluso no grande projecto de edificação da sociedade angolana.

Os estados Ovimbundu, embora os dados de que dispomos apontem para o facto de  os mesmos terem sido constituídos muito antes do século XIX,  são mais fáceis de descrever a partir dos anos de 1800, sobretudo no que diz respeito aos Estados da Cingolo, Cyaka, Gumba, Kalengue, Kaluquembe, Bailundo, Ndulu; Ngalangui; Sambu, Viye, Wambu, para além dos reinos não menos importantes como o  de Caconda (Cilombo Coñoma), Ekekete, Chitata e outros.

Continuar...

(2 Votos)
migrações

Tradução de Mbela Isso

Estas conclusões foram validadas graças a um amplo trabalho de campo e às análises históricas feitas da obra de Torday e  Joyce "Notes on the Ethnography of the Bambala". A minuciosa análise histórica de Torday permite concluir que os Kimbundu vieram do Nordeste, abrindo caminho até Luando e que, na altura, se encontravam divididos em consequência de uma guerra civil. Parte deles atravessou o rio Kwanza, em direcção ao Sul.

Continuar...

(0 Votos)

Com o intuito de aprofundar o debate sobre a origem dos Ovimbundu, vamos apresentar, a partir de hoje,  opiniões de diversos autores que se debruçaram sobre este grupo étnico. Começaremos por apresentar a obra de  Hambly, Wilfrid Dyson," The Ovimbundu of Angola", escrita em 1934.

Chamamos não obstante a atenção dos nossos leitores ao facto de que as ideias de cada autor a ser analisado não convergem necessariamente com as nossas, mas que nos dão algumas pistas para pesquisas a realizar na área da História e da Antropologia.

Continuar...

"As culturas equivalem-se. É na diferença e pluralidade que se encontra o sentido de humanidade"
Mindlin

Num dos artigos, relativos à história dos Ovimbundu, apresentamos três hipóteses sobre a possível origem deste grupo étnico, tendo-nos inclinado, depois de apresentarmos alguns factos, para a hipótese para nós a mais defensável segundo a qual os Ovimbundu descendem dos autores das pinturas rupestres de Caninguiri que, através de um processo de aculturação e miscigenação, foram adquirindo traços dos outros grupos bantu, chegados de paragens e latitudes longínquas.

Continuar...

A origem dos Ovimbundu tem sido motivo de estudos apaixonados por parte de vários historiadores. Uma das razões tem a ver com o facto de se tratar de um grupo étnico que marcou (e continua a marcar), de modo profundo, a história económica, social, política e cultural da porção de território que hoje se chama Angola.

Na verdade, este grupo étnico destacou-se muito cedo. Assim, temos a referir, em primeiro lugar, a resistência tenaz contra o invasor colonialista; em segundo lugar, a sabedoria de alguns dos seus reis, o que lhes permitiu estender as suas relações comerciais até à Zanzibar (Oceano Índico); em terceiro lugar, a exploração desenfreada a que foi vítima durante o regime colonial (roças, pescarias, fazendas de algodão, café, etc.) que levou muitos dos Ovimbundu a emigrarem para os países vizinhos. Por último, e na história mais recente, o facto de ter surgido, do seu seio, uma rebelião armada, cujas consequências (para o bem e para o mal) ainda estão para ser descritas.

A origem dos Ovimbundu é, de acordo com os historiadores, resultado dos processos migratórios Bantu. Os ovimbundu, tal como grande parte da população que vive a sul do equador, são Bantu por pertencerem ao grupo linguístico que utiliza a raiz ntu para se referir ao homem. O acréscimo do prefixo Ba (plural) (Bantu) designa, assim, esta população no seu todo.

Continuar...

O ano de 1917 foi, para todos os efeitos, trágico para Angola. Foi nesse ano em que muitas das etnias irmãs tiveram os mais duros reveses: a título de exemplo pode citar-se um dos subgrupos dos Ovambo, os Cuanhama, cujo grande chefe, Mandume, se suicidou ao prever a derrota eminente, embora também se diga que foi derrotado pelos portugueses e, posteriormente, decapitado, sendo a cabeça exibida pelos colonialistas durante muitos anos. Relativamente ao espaço étnico Ovimbundu verificou-se nesse ano o que se denomina na história por “Revolta dos Seles”, cujas causas, segundo Almeida (1979), foram o roubo de terras e o trabalho forçado.

Trouxemos aqui o depoimento de um sobrevivente dessa guerra a fim de termos uma percepção mais clara sobre tal acontecimento.

Entrevista conduzida e traduzida por Mbela Issó

Mbela Issó - Podia dizer-nos o seu nome?

Aurélio Ukuahamba - Eu chamo-me Aurélio Ukuahamba.

MI - Quantos anos tem?

AU - Não sei bem; mas em 1917, eu tinha 14 anos; portanto, devo ter agora 99 anos.

MI - Diga-nos o que lhes fez deixar o Seles e passar a viver no Bailundo?

Continuar...

Últimos comentários

Newsletter

Fique informado sobre novos artigos do ovimbundu.org

Nome:

E-mail:

Tradução automática

Publicidade

Utilizadores Online

Temos 61 visitantes em linha
VisitasVisitasVisitasVisitasVisitasVisitasVisitas