Sexta-Feira, 12 de Março de 2010

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Ocipama Catete (Primeira Lição)

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Capítulo I- Morfologia

 

Pretende-se apresentar a estrutura das palavras da Língua Umbundu que, como se sabe, faz parte do grupo das línguas Bantu, e os processos morfológicos da variação e formação das palavras.

1.1.Classes e Classificadores

Uma das maneiras para se compreender  a forma como se estrutura a Língua Umbundu é, em primeiro lugar, distinguir os nomes em classes e, em segundo lugar, conhecer as regras de concordância. Por outras palavras, a Língua Umbundu assenta fundamentalmente no grupo nominal (nome), que assume uma grande importância por  não existirem artigos nesta Língua.

As classes aparecem na frase sob a forma de sílabas (prefixos) que tanto podem ser monossilábicas como dissilábicas . Neste sentido, o radical de uma palavra conserva sempre a sua significação que apenas se altera ao receber uma nova ideia com a classe que cataloga ou o prefixo que ocorre à esquerda da palavra de base. De acordo com a gramática moderna, estaríamos perante um tipo de afixo derivacional, porque, na Língua Umbundu, o prefixo geralmente determina as propriedades gramaticais da palavra.

Ex:

(1) Lume; homem.

Esta palavra adquire vários sentidos em função da junção de um ou outro prefixo, tendo em conta o classificador (classe).

2) U+Lume = Ulume (pessoa humana ou homem valente ou corajoso);

3) E+Lume = Elume, ( força, robustez, audácia);

4) Oka+Lume = Okalume ( homem pequeno, adolescente, jovem);

5) O+Lume = Olume (orvalho);

6) Oci+Lume = Ocilume (animal macho).

 

1.1.1. Classificadores Monossilábicos

 

a) Classe U

 

Esta classe, quando dirigida a pessoas, possui um pendor marcadamente psicológico uma vez que designa as qualidades morais ou um princípio activo do ser humano. Também se utiliza para a designação de árvores, ofícios e qualidades de objectos. Assim, a classe U designa aspectos internos ou intrínsecos de uma pessoa, coisas ou animais.

 

1.       Radical: Fina (bonito)

 

  • U+ Fino = Ufino (beleza)

 

2.       Radical: Tata (tratar)

 

  • U+Tate = Utate (cuidado, zelo, desvelo; nome de uma árvore)

 

3.       Radical: Sumba (respeitar, temer)

 

  • U+Sumba = Usumba (medo)

 

4.   Radical: Tenga

  • U+Tengi = Utengi (algo que mistura, batedor)

 

b)      A classe E

 

Refere-se a algo externo, ou seja, extrínseco às pessoas, objectos e coisas. Também se utiliza para designar um procedimento que se aplica ou a algo que tem a tendência de se alargar.

4.       Radical: Tenda (contar, descascar, sondar)

 

  • E+Tenda = Etenda (disparo de canhão, descarga de fuzilaria, barraca)

 

5.       Radical:Teka (tingir, colorir)

 

  • E+Teko = Eteko (Solução que se usa para tingir qualquer coisa)

 

6.       Nene (grandeza)

 

  • E+ Nene = Enene (demasiado, muito).
 

Comentários

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Por Marlos, Sábado 06 Dezembro 2008, 01:22
+2
 
 
Estou gostando muito. Queria ver mais sobre a língua
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Por maria Delfina Salgado, Sábado 27 Dezembro 2008, 01:10
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Nunca pensei vir encontrar a língua em que o meu tio celebra a eucaristia.
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Por Carlos Veloso, Sábado 21 Novembro 2009, 08:04
0
 
 
Caro Dr.Marcos Usenge, desta terra longínqua (Brasil) gostaria de parabenizá-lo não só pela iniciativa, mas também pelo método que é realmente muito explicativo. Passei parte de minha infância e juventude em Angola no distrito do Huambo e como morava na área rural meu grupo de colegas era constituído de 100% por bailundos e assim tive o prazer de aprender a falar o Umbundu, pelo menos uma parte lógico, para que pudesse me comunicar. Normalmente procurava as pessoas mais velhas, sentado numa pedra ou no chão e de imediato começava a fazer minhas perguntas sobre o idioma. Que boas recordações, já são passados muitos anos, mas ontem comecei a fazer uma relação das palavras que me lembro e fiquei surpreso porque estou conseguindo lembrar muito mais do que eu imaginava. Suas aulas me fizeram lembrar como é rica a gramática do Umbundo, é simplesmente formidável. Com as recordações me vem a água na boca lembrando quantas vezes eu levava meu prato com meu almoço e o trocava pelo tradicional "ohita l'ombisi" (não sei se está correto, seria o pirão com o peixe sêco assado) que eu adorava. Receba um forte abraço e votos de muita luz, paz, saúde e sucesso.
Carlos Veloso
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