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Foi assim, de uma forma aparentemente fácil, e quase inacreditável - para um homem demasiado experiente nas andanças da guerra -, que terminava a vida de um líder carismático, e de um homem que fez da guerra o seu cavalo de batalha para um dia vir a ser Presidente do País que o vira nascer.
As pessoas que o conheceram de perto contam que, em certas ocasiões, lhes perguntava se um dia viria a ser, de facto, Presidente de Angola e, condoído pela dúvida, vertia algumas lágrimas, talvez por notar que esse desiderato se encontrava distante de si anos-luz.
A falar a verdade, Jonas Savimbi nem sequer precisava de vir um dia a ser Presidente da República, pois viveu as glórias, as alegrias, as honras e as agruras de todos os presidentes. Teve uma vida tão atribulada, quanto plena de contradições, esse menino irrequieto, que nasceu a 3 de Agosto de 1934, em Munhango, no Bié.
A sua passagem por Portugal foi, de igual modo, tempestuosa, uma vez que a par dos estudos, contestava abertamente o regime colonial português, o que lhe valeu alguns dissabores, e não foram poucos. Apesar disso, conforme Daniel Chipenda, não se coibia em ostentar os seus conhecimentos, mesmo em domínios não afins à sua formação. Uma vez, pretendeu dar uma conferência sobre Antropologia numa instituição portuguesa, sendo, de imediato, desaconselhado por Chipenda.
Formado em Ciências Políticas e Jurídicas na Universidade de Lousane, Suíça, passou, a partir daí, a dedicar toda a sua vida à política até ao último momento em que morreu em combate.
Jonas Savimbi era o homem dos antípodas: era anjo e ao mesmo tempo demónio; assemelhava-se ao remoinho de vento, kanyongo, que varre árvores e levanta as casas do chão, mas também tinha dificuldades de se conter e, por vezes, chorava como uma criança. A sua vida tão plena de contradições, e de estados de humor surpreendentes, levou a que, no processo eleitoral de 1992, o MPLA afirmasse que ele havia feito campanha para si, apesar de (o que é paradoxal) o seu arqui-rival não o ter batido logo na primeira volta. Mas a sua sentença de morte havia sido decretada há muito, ou seja, muito antes da independência. Apenas José Eduardo dos Santos viria a consumá-la, volvidos dezenas de anos, nesse fatídico dia, na localidade de Lucussi, ao lado de uma grande mulemba.
Quer queiramos quer não, temos de aceitar que, com a morte de Jonas Savimbi, abre-se uma nova fase na vida política de Angola, ainda que contrária aos cenários que se vêm desenhando por aí. Primeiro, porque, para o MPLA, as causas da guerra não radicam em factores de ordem estrutural, mas na ambição de um homem que queria, a todo o custo, tomar o poder. Não tardará a chegar o dia em que o MPLA e os seus correligionários se aperceberão que esta morte não trouxe nada de novo para o processo de consolidação da paz; muito pelo contrário, notarão, perplexos, que afinal a paz não nasce da eliminação de adversários, mas sim da transformação espiritual, moral e ética no seio do próprio MPLA. Só assim, e tal como a sombra de uma mulemba, a verdadeira paz se espalhará pela Nação inteira.
Está à vista que a verdadeira paz passa, necessariamente, pela instauração de um verdadeiro estado de direito; pelo desfasamento das assimetrias regionais (dando a cada região uma relativa liberdade para decidir do seu destino, económico e social). E mais importante ainda, pela distribuição equitativa das riquezas do país, de modo a que cada angolano, esteja onde estiver, seja quem for, sinta o merecido orgulho pela sua terra-mãe.
O filho de Lote e Mbundu, teve todos os meios ao seu alcance para evitar tal trágico desfecho; possuidor de uma grande fortuna, poderia, sem grandes dificuldades, exilar-se em qualquer país; possuía, até ao último momento, intacto o seu sistema de comunicações com o qual poderia comunicar com o mundo, ou com as Nações Unidas, a sua rendição. Mas preferiu, conscientemente, morrer assim, na crença, pensamos nós, de que, ao estilo de Cristo, continuaria vivo durante vários séculos no imaginário daqueles que o seguiram e o apoiaram (e não só). Refiro-me ao poder catalisador das energias que possuem certos líderes que deixam de existir de uma forma brutal. Trata-se do valor e do poder simbólico de um mártir.
Independentemente da evolução do processo político-militar de Angola, a verdade é, que, o MPLA perdeu o seu bode expiatório. O indivíduo a quem era atribuída a miséria, a falta da gestão transparente da coisa pública, a corrupção, o despotismo, o tráfico de influências, a prioridade do estrangeiro em detrimento do nacional, a ausência da democracia e até, o mais anedótico, a falta da luz e da água na cidade de Luanda.
Fatalmente, acaba de chegar o momento em que o MPLA terá, necessariamente, de olhar para si próprio. E assim, a morte de Jonas Savimbi, muito longe de colocar o MPLA numa posição confortável, colocá-lo-á, isso sim, numa posição mais crítica, pois a partir de agora, o maior inimigo do MPLA já não será Jonas Malheiro Savimbi, mas sim a verdadeira democracia. De resto, é tudo uma questão de tempo ou, quem sabe, de dias.
Talvez isso explique porque Jonas Savimbi havia escolhido morrer assim. E quando nos vêem à mente as imagens enfadonhas de Abimael Reynoso Guzman, líder do Sendero Luminoso, a que Alberto Fujimori converteu num verdadeiro espantalho, talvez, quem sabe, tenha valido a pena Jonas Savimbi acabar como acabou.
Ninguém ignora a abjecta humilhação porque passou depois de morto; a humilhação mais vil e contrária à cultura africana, mas isso é de somenos importância, porque só humilham cadáveres aqueles que não sabem que o valor de um homem está nas suas ideias.
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Comentários
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Acredite-se ou não a unita provocou o abandono das suas próprias casas queimando-as,aldeias,vilas e cidades em busca de um lugar seguro para viver.Destruiu e paralisou o país,que acabou com milhares de fabricas,campos de lavouras,oficinas e demais locais de trabalho. As consequências é o pesado fardo que a unita transporta com uma falta de credibilidade no seio de milhões e milhões de populares,até daqueles que se reviam com a política da UNITA,hoje deram às costas e muitos farão isso.
A unita manchou-se ou machucou-se com o retorno a guerra que mais matou os ovimbundu no Huambo com destaque no Bié que foram as praças fortes deste partido. Savimbi traiu os militantes do seu partido.
Comprado ao monstro SAVIMBI só mesmo o Hitler!!
Um assassino que teve coragem de mandara ssassinar a sua própria esposa jamais deve ser considerado de politico ou humano,porque as suas praticas belicista não nos permite avaliar o tipo de pessoa que esse JUDA malfeitor chamdo de JONAS MALHEIRO SIDONIO LIMABEIRO SAVIMBI foi.
O MPLA com os seus aliados cubanos e russos foram quem desestabilisou Angola desde 1975. Nao venho aqui defender a UNITA mas falar um pouco do que me foi dito pelos meus pais. Se tivessem feito as eleicoes na epoca Angola tinha prosperado muito e eu e minha familia estariamos morando em Angola ate hoje. Agora teem la um ladrao corrupto chamado Jose Eduardo dos Santos. Vejam ele sua familia e amigos se encheram e continuam a encher ate hoje. O povo continua a sofrer. E pena que os tenham feito a maior lavagem cerebral aos Angolanos.
Angola tem recursos suficientes para ter educação (sem depender do estrangeiros para ter quadros superiores), emprego, sustentabilidad e, formação profissional, etc....estendidos a todo o país e a todos os Angolanos.
Enquanto sua esposa faz compras em Paris e sua filha é dona de um banco, milhares de Angolanos morrem de fome. Um Governo-governa nte que não mata a fome aos seus habitantes é um fracasso.
Sou Português, branco, sou o "mau da fita", o colono. Também eu acho que a colonização foi uma fase negra e sem decência na história da Europa e África, mas já passou isso!
Neste momento acredito que é possível ter Portugal e Angola com boas condições de vida para os seus habitantes e podemos ser países amigos. Para isso tem de se saber seguir em frente.
A colonização é um problema ultrapassado, já sois independentes. José Eduardo dos Santos é um problema que predura, persiste e vos rouba a cada dia até à última gota.
Felicidades a todos os angolanos e portugueses. Em ambos os países temos de aprender a escolher melhor os nossos líderes e os nossos governos.
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