Crónicas

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O significado de traição, conforme se lê em qualquer dicionário, nem sempre é o mais exacto. Define-se a traição, ora como um acto de infidelidade ora como uma perfídia. Diga o que se disser,  não há dúvida de que a acepção mais exacta pode ser encontrada na conduta de Judas, que vendeu Cristo por trinta moedas. Eis a essência da traição, ou seja, a pressuposição de que se trai  para obter contrapartidas financeiras ou de outro tipo.

A UNITA, fundada em 1965, é o Partido, por razões pouco desconhecidas, onde as traições têm sido mais frequentes, ao ponto de, muitas vozes,  afirmarem, o que é obviamente incorrecto, que a traição é uma das características dos sulanos.

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Se nos ativermos ao conceito de política, definido por Aristóteles como a arte ou a ciência do governo; por Bertrand Russell como o conjunto dos meios que permitem alcançar os fins desejados em prol do homem, ou ainda - segundo um outro pensador - como a arte que visa a ordem pública e o bem social das populações, podemos, de imediato, constatar que o Mpla e JES se afastaram, e cada vez, destes desideratos, convertendo a política na coisa mais banal que alguma vez se pode imaginar. É que, ao fazer-se uma retrospectiva da nossa mais recente história política - desde o alcance da paz, ao presente momento - sobressaem tomadas de posição dos actuais governantes que, de um lado, raiam o doentio.

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A Unita, na pessoa do seu presidente, JMS, demonstrou com uma estrutura de poder, marcada por nuances tradicionais e por querelas palacianas, pôde colocar a mulher nas situações mais extremas e caricatas. Para a questão em análise, não se trata de um conflito entre a instituição da família tradicional, assente na poligamia, e a moderna, que postula pela família monogâmica com os valores a si adstritos. Trata-se do uso, do abuso e da coisificação da mulher, em consequência de um poder autocrático que por vezes, e não foram poucas, mostrou ter perdido o controlo da situação.

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Completando-se um ano desde que se realizaram as últimas eleições, já é possível fazer algum balanço tal como se pretende com o presente artigo.

Fomos habituados, desde miúdos, a termos cuidado com várias coisas. Uma delas é a boca, ora porque é através dela que ingerimos alimentos (benéficos ou maléficos), ora porque é por ela que tomamos os medicamentos prescritos pelo médico. Também é através da boca que alguém mal-intencionado nos pode envenenar ou, no caso de uma paixão, dar vazão aos seus sentimentos através de um beijo.

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Em Janeiro de 1975, em trânsito para Luena, fiquei umas horas na cidade do Kuito. Estavam ali a minha mãe e os meus dois irmãos. Eles participavam numa Conferência da Unita, que ficou célebre por ter criado a organização infantil desse partido, a Alvorada. Eu estava muito longe de imaginar que me iria cruzar com uma família muito especial; digo especial, por ela ter povoado a minha mente com sentimentos de admiração. Mas também por ela estar marcada, como se viu mais tarde, pela mais terrível saga que podia imaginar. Recordo-me de tudo tal como se fosse hoje: num dos intervalos da Conferência, a mãe, logo que deu por nós, pediu que a acompanhássemos.

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Ultimamente temos sido surpreendidos com notícias das mais espampanantes que só passam despercebidas àqueles que olham sem ver e ouvem sem escutar. A primeira das notícias vem do mundo do espectáculo, tendo como figura central uma personalidade mais conhecida por Riquinho, que veio a terreiro dizer algo tão grave quanto bombástico: o presidente da República, JES, teria apreciado sobremaneira o espectáculo de Roberto Carlos por si patrocinado, que, diante do torcer do nariz do então Ministro da Cultura, lhe teria dado um milhão de dólares, mas que apenas lhe teriam chegado às mãos quinhentos mil dólares.

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agostinho neto
Deparei-me com  a poesia de Agostinho Neto, pela primeira vez,  por um mero acaso. Nascida em meados dos  anos 80, em Portugal, filha de pais que, fugidos da guerra em Angola, ali  haviam fixado residência, vi-me num dia desses diante de uma edição de bolso, de capa amarela, da "Sagrada Esperança", que repousava numa modesta estante que tínhamos na sala de estar. Tratava-se de um exemplar trazido pela minha mãe, que se juntara  ao pai dois anos antes do meu nascimento.

 

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Fanatismo Angolano
Como curar um fanático? É a pergunta que faz Amos Oz no seu livro "Contra o Fanatismo". Um livro tipicamente de bolso, poucas páginas, leitura rápida, mas munido de alguma verdade importante. O fanatismo tem cura!

Nas próximas linhas, não pretendo revelar a cura ao fanatismo, mas fazer uma simetria entre a obra do senhor Oz e a realidade vivida em Angola. Através desta reflexão (que) uma vez (seja) enveredada pelo povo angolano, talvez muitos problemas possam ser evitados no futuro.

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Pierre Falcone

O caso angolagate, assim como outros inúmeros casos sobre Angola que se vão ouvindo, por aqui e por ali, sobretudo nos meios de comunicação social estrangeiros ou denunciados por ONGs britânicas e americanas, nunca me interessou. Nunca me despertou qualquer interesse ou emoção devido ao facto de, desde o princípio, o ter considerado como normal no caos político e social que se seguiu ao day after das tão malfadadas eleições de 1992, que descambaram para guerra tão bem conhecida por nós. De facto, cenário diferente não se podia esperar; de um lado estava a Unita que, por mais paradoxal que seja, recorreu a elementos afectos à potência contra a qual lutara desde a independência, a União Soviética.

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